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Carta aos Artistas (Papa João Paulo II) InteratividadeArtigos de outros músicosOs padres do Deserto e a Música - Parte I Logo no princípio da era cristã, havia alguns padres que forneceram a igreja contribuições fundamentais para uma vivência de fé madura, autêntica e considerada por muitos como radicais. São os chamados padres do deserto ou antigos padres. Esses padres foram homens que viveram a experiência do silêncio e da solidão em pleno o deserto egípcio, do qual temos no século II, Santo Antão como um dos principais nomes, e considerado, o pai dos monges. Eles acreditavam e viam no silêncio aspectos ainda importantes para os dias atuais, como o de que, o silêncio, é a morada da palavra, que a ela da força e fecundidade. Mas, o que tem os padres do deserto a contribuir no campo musical já que foram homens do silêncio e da solidão? É que a musica também é formada de palavras, ela é palavra, dessa forma, pode também usufruir dos benefícios do silencio. O primeiro aspecto que podemos usar, a fim de buscarmos cada vez mais dar a musicalidade uma fecundidade, se inicia através da experiência individual e particular de cada músico, na sua abertura completa a escuta dos anseios divinos. O silêncio, é um lugar privilegiado para tal encontro. É um modo especial para estabelecer um encontro do criador com a sua criatura, formando assim uma unidade, comunhão. Essa experiência certamente, há de enriquecer cada individuo, frente a necessidade da missão. Em outras palavras, podemos dizer que para falar sobre Deus, é necessário primeiramente encontra-lo. De fato, o silencio não é o único modo deste encontro acontecer, mas, acredito que seja um dos mais eficazes, por proporcionar um crescimento constante e maduro. Dessa forma, um primeiro passo para se dar a música a fecundidade necessária, é através de uma disposição inicial do coração daqueles que se dispõem a evangelizar por este meio. Padres do deserto e a Música - Parte II A importância do silêncio Santa Tereza já dizia que jamais seremos capazes de entrar nos outros, sem antes entrar em nós mesmos. O silêncio, e a própria solidão, não pode ser encarada por um músico como a ausência de barulho ou agitação, muito menos como fuga. Aprendemos com os santos padres que, entrar na solidão e silêncio do deserto significa participar do silencio divino, presente desde a criação do universo, tornando-se assim, participantes do poder criador e recriador da palavra divina. O mundo nasce a partir da palavra divina, "que exista luz", "que exista um firmamento no meio das águas"... o próprio salvador do mundo, no início era palavra, "no inicio a palavra já existia, a palavra estava voltada para Deus, e a palavra era Deus. No começo, ela estava voltada para Deus, tudo foi feito por meio dela.... e a palavra se fez homem, e habitou no meio de nós." A palavra habitada no silencio divino, eis a grande busca para cada músico que pretende fazer de sua musicalidade um instrumento cada vez mais fecundo. Acredito que é isso, o que realmente é preciso. Se observarmos bem, em todo o mundo ( e principalmente no ocidente) o nome de Jesus vem sendo exaustivamente falado, até mesmo para justificar guerras, ou ações que vão contra os seus próprios ensinamentos. As igrejas falam de Jesus, milhares de igrejas dividem inúmeros pontos de vista sobre ele. O mundo, conhece Jesus, embora, não o viva. Talvez, isso nos remeta a um problema alertado pelo Pe Nowns, de que estamos vivendo em um mundo repleto de palavras, tudo é palavra, dos mais variados tipos e com as mais diversas finalidade. Se não tomarmos o devido cuidado, corremos o risco de fazer de nossas músicas e missões, apenas palavras. Quando uma palavra é fecunda, gera ainda mais vida naqueles que a ouvem. Podemos lembrar de Pedro falando com Jesus: " Senhor, a quem iremos, só tu tens palavras de vida"!. Os doutores da lei falavam da lei, mas falavam de uma forma teórica, daquilo que ouviam e aprendiam, Jesus falava daquilo que ardia em seu coração, falava com a sua própria vida. Suas palavras, eram verdadeiramente fecundas. Os padres do deserto e a musica - Parte III A fornalha da transformação Um outro aspecto do silêncio também demonstrado pelos padres do deserto, é que, eles também o viam, como a grande fornalha da transformação. A música sempre vai despertar algum tipo de reação, um exemplo disso é a música instrumental. Este tipo de música, parece ser muitas vezes capaz de provocar uma espécie de abertura no interior humano, as palavras que são ditas com este tipo musical de fundo, parece criar uma vida nova, uma força maior. Essa música, pode ser comparada com um adubo, que é utilizado para preparar a terra para o plantio da semente (palavra). Em outras palavras, a música pode nos permitir um acesso rápido ao interior humano, porém, ela talvez não favoreça uma transformação, pelo menos, em um âmbito que não seja terapêutico. A música nos leva a um campo emocional. É como se ela conseguisse ter acesso a uma caixinha até então fechada dentro do coração. Mas, pode ser que assim que passar a emoção, vai-se embora aquilo que se percebe através dela . Eu compararia a grosso modo, a musica a hipnose psicanalítica, que era usada no sentido de ter um acesso ao inconsciente dos pacientes. Contudo e com o passar do tempo, o próprio fundador da psicanálise, Sigmund Freud, desistiu de utiliza-la, por notar que o fato de ter um acesso a este inconsciente de seus paciente não lhe trazem nenhum tipo de melhora, porque a hipnose parecia driblar as barreiras dos pacientes e não as enfrentava, como era necessário para a obtenção da cura. Assim, acredito que na maioria das vezes a música, pode até driblar as resistências humanas, manifestando alegria meio em mesmo a tristeza, mas ela não consegue combate-las. Se é verdade que quem canta os males espanta, posso dizer que quem silencia a eles enfrenta, e melhor do que apenas ficar despistando uma situação é enfrenta-la de frente e com coragem, o que exige disposição e maturidade. Quando não imposto pelos outros ou pelas experiências da vida que nos exigem tal postura, a solidão e o próprio silêncio são altamente benéficos. Não significa fugir da realidade, mas ele forma um momento oportuno para amarmos de coragem e preparamos melhor para enfrentar as situações, escutaremos melhor a nós mesmos, enxergando novos horizontes, e talvez, ouvindo a voz e cuidado de Deus que continuadamente nos fala, embora nem sempre percebemos. Mas como aliar estes dois aspectos, música e silêncio, a fim de que esta seja uma arte ainda mais fecunda? O primeiro ponto a ser considerado é que o silêncio fecundo que os antigos padres nos ensinam não se resume a um modismo ou ausência de palavras, mas, é a busca do silencio como estado de coração: " um homem por desta aparentemente em silencio, mas, se com seu coração condena os outros, ele tagarela sem cessar. E pode haver outro que converse de manha a noite, e contudo, esteja verdadeiramente em silencio" Não podemos confundir pessoa silenciosa com tímida, ou extrovertida como uma pessoa que não silencia. Os antigos padres, falavam das necessidades do povo a partir do silencio divino, é uma das maiores lições que aqueles que continuadamente comunicam os valores evangélicos ao povo precisa entender. Aquele que alcançou o silêncio como o estado do coração, saberá mesmo em meio aos maiores ruídos do mundo, falar segundo as necessidades do povo, pois saberá distinguir na aflição e anseios deste, a voz, pedido e chamado do próprio Deus. Eu compararia este estado de coração a um maestro que possui um ouvido absoluto, este, sabe distinguir mesmo em meio a numerosos instrumentos aquele que esteja desafinado. Assim, eu diria á aqueles que desejam fazer de sua musicalidade algo ainda mais fecundo e cheio de vida: busquem o silêncio. Mesmo que nos eventos e shows que participem venham a executar um barulho ou som estrondoso, nunca deixem de buscar o silencio. E levem assim, aos eventos que participarem aquilo que encontraram neste campo silencioso. De: Adriano Oliveira - adrianodefo@yahoo.com.br Autor do Livro: Nos Caminhos da Música Católica / Ed. Palavra e Prece Voltar Você músico que deseja publicar UM ARTIGO SEU aqui no "Oficina da Música Católica" por favor envie um email para jorge@oficinadamusicacatolica.com e assim que possível estará aqui no site. A idéia aqui é disponibilizar artigos, poemas, letras de música, artigos técnicos sobre música, testemunhos, etc... E o interessante é que não sejam matérias copiadas de outros lugares, mas sim de própria autoria. Obs:Antes da publicação a matéria será revisada, por isso não serão publicados artigos que não agregam em nada aos irmãos, ok?! No email me diga seu nome, nome do ministério que participa, paróquia e nome da Cidade/Estado. Abraços! Jorge Voltar |