"Sirva-vos de guia e inspiração o mistério de Cristo ressuscitado, em cuja contemplação se alegra a Igreja nestes dias..."

Carta aos Artistas (Papa João Paulo II)


Interatividade

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Somos cantores

Os anjos cantam...Cantam alegremente por mais uma vida que surge na Terra.A família canta de alegria pela maravilhosa criança que acaba de nascer. Os pais cantam algo para a criança, canções de ninar, canções para comer, enfim, cantam...
A criança vai crescendo, e aos poucos, começa a murmurar algumas "musiquinhas", formando momentos inesquecíveis para os pais. Com o tempo, a criança começa a aprender e a cantar canções próprias sua fase, musicas que auxiliam a brincar, divertir-se, próprias da fase da pré-escola.
Com o passar dos anos, a criança muda um pouco a tendência, e passa a cantar músicas mais ritmadas, com letras um pouco mais desenvolvidas, mas, com a mesma inocência de outrora. Tudo é música para ela, seja rock, samba, axé, forró, etc....
Vem enfim a adolescência, o repertório se transforma, o que antes era procurado agora é ignorado, e aquilo que pode ser ignorado pelos adultos são por eles procurado. A música passa a ser um código, uma referência, algo que está constantemente na vida do adolescente. Cria-se os gostos musicais, as tendências prediletas, a aproximação de grupos que tem o mesmo gosto e, a identificação com grupos e cantores, gerando assim, a criação dos conhecidos "ídolos". Nascem os fãs. Essa fase, tem influência decisiva em vários aspectos que formarão o jovem.
O jovem por sua vez, possui seu ritmo ou ritmos diferentes. Não é mais criança, não é mais adolescente. Ele ouve, ou melhor, curte a música dos jovens. Música que muitas vezes acompanha moda, tendências, pensamentos e filosofias de vida. Nasce a chamada "minha música" ou música predileta, aquela que é especial, a que marca momentos, encontros, acontecimentos. A música que lembra algo ou alguém.

Vem assim a fase adulta e com essa fase as lembranças são inevitáveis. Em alguns casos o repertório também é mudado, ou melhor, é mantido, sendo que o que pode estar mudando são as tendências musicais, o repertório que era atual passa a ser considerado pelos jovens como ultrapassado. O adulto tem suas canções mais bem classificadas, elas se ligaram a sua história de vida, e se encaixam dentro de um contexto. Cantam assim para matar a saudade, para recordar, para expressar algo. É claro, para também se divertir e entreter. O adulto, não é aquele que não aceita o que é novo, é aquele que não rejeita aquilo que é parte dele, e assim, não pode esquecer de músicas, ritmos e tendências que lhe foram tão importantes. Eu diria, que o adulto tem um repertório maior, por isso, pode fazer mais escolhas.
Assim, vem a terceira idade, a nova tendência musical nesta fase não terá o mesmo efeito. A música de outrora ocupou muitos lugares de seu coração, e por isso, são naturalmente melhores. Sempre há espaço para o novo, mas este novo pode na maioria das vezes apenas acrescentar, muito dificilmente conseguirá substituir todo aquele repertório formado durante décadas. A música aqui também diverte, enterte, mas, certamente ela rejuvenesce, transporta para longe, traz um pouco do ar de outrora, gera algo em torno da saudade, leva as origens. Este idoso canta algo, mas, que vai além de uma simples canção, ela canta sua vida, sua história, sua origem, seus momentos.
A música identifica gerações. Ela atravessa as barreiras do tempo. A música é uma máquina do tempo. Por isso, ela é tão bela, tão maravilhosa e importante.
Por fim, chegará um dia, onde ouviremos, os anjos cantando alegremente, por mais um filho de Deus, que chega ao céu.


De: Adriano Oliveira - adrianodefo@yahoo.com.br
Autor do Livro: Nos Caminhos da Música Católica / Ed. Palavra e Prece


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